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Doenças do Apêndice Cecal. |
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Apêndice cecal é uma estrutura vestigial com tecido linfoproliferativo localizado no ceco com orientação variável no que diz respeito sua posição. Descrito inicialmente em 1886 por Fitz, McBurney recomendou a intervenção cirúrgica precoce. Apesar de parecer uma doença simples, seu diagnóstico é complexo pois somente metade dos pacientes vem com sinais e sintomas clássicos. Conseqüentemente o diagnóstico tardio aumenta mesmo nos dias de hoje a morbi-mortalidade da doença.
Considera-se que 7% dos indivíduos na população geral irá desenvolver apendicite aguda no decorrer da vida e acredita-se que a alta incidência na África se deve a dieta exageradamente rica em resíduos.
Atualmente considera-se a causa da apendicite a obstrução do órgão seja por hiperplasia linfóide (60%), fecalitos (35%), tumores(1%). A obstrução do apêndice leva a aumento da pressão pela produção de muco que leva a estase e proliferação bacteriana. A pressão aumentada também leva a obstrução venosa e edema com invasão da parede apendicular pelas bactérias ali presentes. Conforme a pressão aumenta pode haver comprometimento arterial e gangrena com perfuração.
A apresentação clinica mais clássica é de dor epigástrica (boca do estomago) que migra para o quadrante inferior direito do abdome. A dor e progressivamente pior, acompanhada de anorexia (falta de apetite), náuseas e vômitos. Pode ser inicialmente afebril e picos maiores de febre estão associadas a perfuração do mesmo. No exame clínico o movimento do corpo piora a dor, há enrijecimento da parede abdominal no quadrante inferior direito entre outros sinais clínicos conhecidos na semiologia (Rovising, psoas e obturador) que são mais comuns em estágios mais avançados da doença.
A doença tem tratamento eminentemente cirúrgico e assim sendo um Cirurgião Geral ou Cirurgião do Aparelho Digestivo, Gastrocirurgião ou Coloproctologista deve ser consultado. Caberá a este decidir sobre a necessidade de exames complementares ou cirurgia sem estes por doença óbvia.
Não há contra-indicações para a cirurgia em pacientes com suspeita diagnóstica de apendicite. Em casos selecionados, é possível optar por drenagem percutânea do abscesso bem formado e antibióticos e realizar a cirurgia no espaço de 6 semanas
Não é essencial ou necessário o exame de ultrasom ou tomografia ou qualquer outro método complementar para diagnóstico da apendicite de apresentação clássica. Somente em casos atípicos os exames podem ser solicitados e mesmo assim a decisão do médico sobre a cirurgia é baseado no conjunto de informações e não só no exame complementar.
A via de acesso cirúrgica pode ser aberta convencional por incisão a Davis ou Mcburney, ou então por via laparoscópica. Ambas as vias tem suas vantagens e desvantagens que devem ser consideradas pelo médico assistente.
Antibióticos de escolha: AMP+Gent+metro ou 3o cefal+metro. Antibióticos de amplo espectro em mono-terapia também podem ser utilizados com suas devidas restrições.
Apos a cirurgia, dependendo da gravidade da infecção o paciente pode ter alta hospitalar em menos de 24 horas ou permanecer internado as vezes por semanas. Após a alta hospitalar o paciente deve retornar com o cirurgião em 1 -2 semanas e habitualmente se o tipo de incisão for Mc Burney ou Davis em 2 -3 semanas o paciente pode retornar ao trabalho. Incisões maiores levam a afastamentos de até 6 semanas habitualmente.
Infecções de parede abdominal podem ocorrer em cerca de 5% dos casos operados, mais ou menos dependendo do grau de gravidade da infecção. Abscessos intra abdominais podem ocorrer em 2-5% dos pacientes. Íleo prolongado, obstrução intestinal, atelectasias e até mesmo TVP podem ocorrer no período pós operatório mais raramente.
TEMA COMPLEMENTAR - CARCINOIDE DE APENDICE CECAL:
O carcinoide de apêndice é responsável por 85% das neoplasias do apêndice cecal. Diagnóstico precoce é dificil e protocolos bem definidos para o tratamento dessa doença ainda é obscuro. O tumor carcinoide clássico tem prevalência de 0,3-0,9% dos pacientes operados. A apresentação clinica é indistinguivel da apendicite clássica e síndrome carcinóide ocorre em pacientes com provável metástase hepática. Exames a fazer em síndrome carcinóide: 5HiAA urinário aumentado com aumento da serotonina urinário e plaquetar podem ajudar a avaliação da progressão da doença. Exames de RNM e cintilografia podem ser usados também. Tratamento com somatostatina. Até hoje o tamanho do tumor é preditivo do prognóstico metastático. Cerca de 80% são menores que 1cm e a ponta do apêndice está comprometida em 75% dos casos. Metastases são ocorrências raras. Marcadores neuroendocrinos para o carcinoide apendicular parece não ter relação prognóstica como nos de estômago e delgado. Tumores menores que 2 cm devem ser retirados por simples apendicectomia principalmente se forem no ápice apendicular sem invasão angiolinfática. Tumores maiores que 2cm ou com evidências de ramos metastáticos ganglionares indicam a colectomia direita. Mesmo assim apenas 20% dessas cirurgias indicam alguma doença residual. O prognóstico é de 90-100% em 5 anos. Follow up é anual com exames de imagens a cada 1-3 anos para avaliação hepática.
Variante Globet Cell. é uma adenocarcinóide ou carcinoma de celula criptica e tem uma tendência de ser agressivo e imprevisivel. Parece ser um intermediário entre o carcinóide clássico e o adenocarcinoma de anel de sinete do cólon. 20% dos casos já possuem metástases em ovários ou peritoneo. O tamanho do tumor é um indicador pobre e mesmo pequenos tumores podem ja ter metástases a distância. Menores que 2 cm sem envolvimento seroso ou linfático podem ser apendicectomizados. Qualquer outra situação é indicada a colectomia direita. O prognóstico é de 73% em 5 anos e 60% em 10anos
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